O mercado de locação de veículos no Brasil bateu recordes em 2025, com faturamento de R$ 61,7 bilhões. Mas junto ao crescimento, persiste uma ameaça silenciosa que drena recursos das locadoras: a apropriação indébita de veículos. Neste artigo, você vai entender o que é esse crime, como ele acontece e — mais importante — quais medidas podem proteger a sua frota.
O que é apropriação indébita de veículo?
A apropriação indébita de veículo é um crime tipificado no artigo 168 do Código Penal Brasileiro. Ele consiste na retenção de um bem alheio por quem o recebeu de forma lícita, sem consentimento do proprietário para mantê-lo.
No contexto das locadoras, isso ocorre quando um cliente aluga um automóvel e, ao final do contrato, simplesmente não o devolve. Diferente do roubo ou furto — onde o bem é tomado à força ou sem consentimento —, aqui a vítima entregou o veículo voluntariamente, o que torna a situação ainda mais delicada sob o ponto de vista legal e operacional.
Situações que configuram apropriação indébita
Existem diferentes formas pelas quais esse crime se manifesta no dia a dia das locadoras:
- Não devolução do veículo após o término do contrato de locação;
- Uso do veículo além do prazo acordado, sem autorização;
- Repasse do veículo a terceiros (o chamado “laranja”), dificultando a localização;
- Uso de dados de terceiros para realizar o aluguel com identidade falsa;
- Inadimplência vinculada à ausência de devolução do automóvel.
Como a apropriação indébita afeta as locadoras de veículos?
O setor de locação de veículos vive um momento de expansão expressiva. Segundo o Anuário Brasileiro do Setor de Locação de Veículos 2026, divulgado pela ABLA (Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis), o faturamento do setor atingiu R$ 61,7 bilhões em 2025, crescimento de 16,6% em relação ao ano anterior. O país conta hoje com 37.047 locadoras ativas e uma frota recorde de 1.717.848 veículos.
Esse crescimento, porém, não vem sem riscos. A apropriação indébita representa hoje aproximadamente 68% dos casos de não recuperação de veículos nas locadoras, superando até mesmo roubos e furtos, segundo dados do mercado. E o prejuízo vai além do valor de mercado do automóvel.
Quanto custa uma apropriação indébita para a locadora?
O custo real de perder um veículo para esse tipo de fraude é muito maior do que parece. Além do valor médio de mercado do veículo, que pode ultrapassar R$ 100 mil considerando modelos mais novos, a locadora ainda arca com:
- Perda de receita durante o período de indisponibilidade do carro;
- Custos administrativos para tentar a recuperação;
- Impostos e multas acumulados enquanto o bem está em poder do fraudador;
- Eventual depreciação ou dano ao veículo quando (e se) recuperado.
Um levantamento envolvendo duas grandes locadoras apontou que, de 3.000 veículos com rastreamento desconectado, apenas 30% foram recuperados, resultando em prejuízo estimado de R$ 100 milhões somente em valor de mercado.
Além disso, há um agravante jurídico importante: na maioria dos casos, o seguro tradicional não cobre a apropriação indébita. Como o veículo foi entregue voluntariamente, as seguradoras não enquadram o caso como roubo ou furto, deixando o prejuízo integralmente com a locadora.
Como esse golpe acontece?
Compreender o modus operandi dos fraudadores é o primeiro passo para criar barreiras eficazes. Os esquemas mais comuns incluem:
Uso de documentos e dados falsos
O fraudador apresenta documentação falsificada ou utiliza dados de terceiros para concluir a locação. Os dados registrados no sistema da locadora não correspondem à identidade real de quem está com o veículo, o que dificulta o rastreamento e o acionamento policial.
O esquema do laranja
Nesse caso, o locatário é um intermediário que repassa o veículo imediatamente a outra pessoa. O objetivo é ocultar a identidade do verdadeiro condutor, tornando a recuperação do bem muito mais difícil, especialmente se não houver rastreador instalado.
Desconexão do sistema de rastreamento
Organizações criminosas mais sofisticadas operam em etapas: alugam o veículo, desconectam o rastreador e rapidamente o redistribuem para desmanche ou uso em outras atividades ilícitas. A ausência de monitoramento em tempo real nesse momento é fatal para a recuperação.
Descumprimento simples de prazo
Nem toda apropriação indébita vem de uma organização criminosa. Em muitos casos, o locatário simplesmente não devolve o veículo no prazo, alegando razões diversas. A ausência de comunicação ativa da locadora nesses momentos contribui para que a situação se prolongue.
Como prevenir a apropriação indébita? Medidas para locadoras
Embora seja impossível eliminar completamente o risco, adotar um conjunto de práticas preventivas reduz significativamente a exposição. Veja as principais estratégias:
1. Verificação rigorosa de documentos e cadastro
Antes de entregar qualquer veículo, é fundamental validar a autenticidade dos documentos apresentados. Tecnologias de OCR (Reconhecimento Óptico de Caracteres) permitem a leitura automatizada de documentos, identificando inconsistências, adulterações e falsificações com maior precisão do que a análise manual.
Verifique também o histórico do cliente em bureaus de crédito e consulte eventuais pendências judiciais. Quanto mais completo for o perfil cadastral, menor o risco de aprovação de um locatário mal-intencionado.
2. Autenticação biométrica do locatário
A biometria facial permite comparar, em tempo real, o rosto do locatário com a foto do documento apresentado. Isso impede que alguém utilize a identidade de terceiros para realizar a locação — uma das modalidades mais comuns de fraude.
Essa tecnologia, combinada à validação documental automatizada, cria uma camada de segurança difícil de ser burlada sem o conhecimento e os dados biométricos do titular real.
3. Análise de perfil e comportamento do cliente
Plataformas antifraude modernas cruzam dados históricos de fraudes com as informações do novo cadastro, identificando padrões de risco antes mesmo da locação ser concluída. Algoritmos de machine learning e inteligência artificial conseguem reconhecer comportamentos típicos de fraudadores com alta precisão.
Essa análise leva em conta variáveis como dispositivo utilizado, padrão de navegação, geolocalização, histórico de locações e muito mais.
4. Rastreamento e telemetria em tempo real
Instalar sistemas de rastreamento nos veículos é uma das medidas mais eficazes para a recuperação do bem em caso de apropriação. A telemetria permite monitorar localização, velocidade, rotas e alertas de desconexão, possibilitando ação rápida da equipe de recuperação.
Tecnologias mais avançadas conseguem até diferenciar a desconexão acidental da bateria de uma tentativa intencional de sabotagem do rastreador, o que permite resposta ainda mais assertiva.
5. Contratos claros e com respaldo jurídico
O contrato de locação deve especificar, com clareza, as obrigações do locatário, os prazos, as penalidades por descumprimento e as cláusulas que caracterizam a apropriação indébita. Contratos bem redigidos facilitam o registro de boletim de ocorrência e o acionamento judicial quando necessário.
6. Comunicação ativa durante o período de locação
Manter contato regular com o cliente, especialmente próximo à data de devolução, ajuda a identificar situações de risco antes que se tornem um problema. Lembretes automáticos por SMS, e-mail ou WhatsApp são soluções simples e eficazes para reduzir casos de descumprimento de prazo.
7. Consulta a dados veiculares
Mesmo após a ocorrência, ter acesso ao histórico veicular é essencial para tentar a recuperação. Informações sobre mudanças de UF, possível clonagem, alterações de características e histórico de infrações ajudam a localizar o veículo e verificar se ele foi envolvido em outras fraudes.
O que fazer quando a apropriação indébita já aconteceu?
Se o veículo não foi devolvido após o prazo, o primeiro passo é tentar contato com o locatário. Caso não haja resposta, aja com rapidez:
- Registre um Boletim de Ocorrência, mesmo que algumas delegacias resistam à tipificação, o BO é fundamental;
- Acione o sistema de rastreamento para tentar localizar o veículo;
- Não tente recuperar o veículo por conta própria, recorra a empresas especializadas em recuperação de frotas;
- Consulte o histórico veicular para verificar movimentações recentes, como multas;
- Acione a seguradora, se houver cobertura específica para esse tipo de evento.
É importante destacar que a tipificação correta do crime — como furto qualificado com fraude, nos casos em que há desconexão do rastreador — amplia as possibilidades de recuperação e responsabilização penal dos envolvidos.
Como a Infocar pode proteger a sua locadora
A Infocar atua há mais de 25 anos no mercado veicular e desenvolveu um ecossistema completo de soluções para prevenção e combate a fraudes em locadoras de veículos.
Entre os recursos disponíveis estão:
- Análise de padrões antifraude com machine learning e inteligência artificial, capaz de identificar comportamentos suspeitos antes da locação;
- Higienização e enriquecimento de dados cadastrais, organizando e aprimorando a base da sua empresa para tomadas de decisão mais seguras;
- Consulta a dados veiculares para rastrear o histórico de movimentações, identificar clonagens, mudanças de características e restrições;
- Infovist: solução de vistoria veicular que realiza a inspeção completa de um automóvel em até 6 minutos, com reconhecimento facial e validação de documentos integrados, aplicável antes e depois de cada locação.
Com essas ferramentas, sua locadora passa a contar com uma camada de proteção inteligente em todas as etapas do processo: do cadastro do cliente à recuperação do veículo.
Proteja a sua frota com a Infocar. Entre em contato com nossos especialistas e descubra como podemos contribuir com a segurança do seu negócio.
FAQ — Perguntas frequentes sobre apropriação indébita em locadoras
O que caracteriza legalmente a apropriação indébita de veículo?
Primeiramente, a apropriação indébita ocorre quando alguém retém um bem recebido de forma legal. Ou seja, no caso de locação, basta não devolver o veículo no prazo, com intenção de ficar com ele, para configurar o crime.
A apropriação indébita de veículo locado é coberta pelo seguro?
Em geral, não. Isso porque a entrega do veículo foi voluntária. Portanto, as seguradoras não consideram como roubo ou furto. Ainda assim, é importante verificar coberturas específicas e investir em prevenção.
Qual é a diferença entre apropriação indébita, roubo e furto de veículo?
Basicamente, no roubo há violência ou ameaça. Já no furto, não há violência, mas também não existe consentimento. Por outro lado, na apropriação indébita, o bem foi entregue voluntariamente e não devolvido. Assim, a diferença impacta o enquadramento legal e o seguro.
Posso registrar boletim de ocorrência se o carro locado não for devolvido?
Sim, é possível. Inclusive, o boletim de ocorrência é essencial para iniciar a recuperação do veículo. Além disso, em alguns casos, pode haver enquadramento mais grave, ampliando as chances de apreensão.
Quais tecnologias ajudam a prevenir a apropriação indébita?
Atualmente, diversas tecnologias ajudam na prevenção. Por exemplo, rastreamento em tempo real, biometria facial, OCR de documentos e inteligência artificial. Dessa forma, o uso combinado reduz significativamente o risco.
Como identificar um cliente com intenção fraudulenta antes da locação?
Antes de tudo, é importante observar sinais de alerta. Por exemplo, inconsistências nos documentos, pressa excessiva ou recusa em validações. Além disso, ferramentas antifraude ajudam a identificar padrões suspeitos com mais precisão.







